Como registrar seu livro na Fundação Biblioteca Nacional (guia passo-a-passo)

Atualizado em 15 de abril de 2017
Para saber mais sobre o mercado literário, conheça o podcast Papo de Autor. Nele, escritores publicados compartilham experiências e dão dicas para quem está começando. Você também pode entrar no nosso grupo do Facebook.

 


1. Por que registrar?

Você levou meses criando, escrevendo, revisando, fazendo e refazendo seu livro, e ele finalmente está pronto! Sem dúvidas, você está morrendo de vontade de mostrar para todo mundo. Gritar por aí: “Terminei!!”, mandar para os amigos por e-mail, mandar para as editoras.
Mas espere! Não se esqueça de que existe muita gente mal intencionada por aí! Eu, que sou ilustradora, sei bem o que digo: muita gente pensa que desenho encontrado no Google não tem dono, e que podem copiar à vontade. Infelizmente, é mais difícil identificar e lutar pelos direitos autorais de um desenho que foi roubado, mas não vou entrar no mérito da questão. Texto, assim como desenho, também sofre com o uso indevido. E por mais que você envie seu livro só para pessoas em quem confia, pense bem: se elas gostarem, talvez mostrem para alguém. E, a essa altura, você já perdeu o controle de quem leu e quem não leu. Por via das dúvidas, o melhor a fazer é registrar a obra.
O registro não é caro, e a maior vantagem que ele oferece é a segurança. Caso aconteça um plágio, fica mais fácil de provar sua autoria e garantir seus direitos. Uma das coisas mais importantes será a data em que a obra foi registrada: teoricamente, o verdadeiro autor possui o registro mais antigo. Existem várias formas de realizar o registro, e o que eu vou explicar é como prefiro fazer com os meus. Este guia não serve para registro de músicas, pois este possui algumas exigências diferentes.

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Menina de Vinte: Recomendo!

Menina de Vinte, Sophie Kinsella

Passeando por uma Laselva qualquer, encontrei este livro por acaso e decidi comprar. Confesso: comprei pelo título. Também pela sinopse no verso, que dizia se tratar da história de uma garota de vinte e poucos anos, que vê uma fantasma também de vinte e poucos anos, mais ou menos a mesma idade que eu. Mas o título me enganou! Na verdade, o fato de as protagonistas terem essa idade é o de menos. “Garota de Vinte” não fala sobre uma garota de vinte, mas sobre uma garota assombrada pelo fantasma de sua tia, uma mulher que viveu o auge de sua juventude na década de 20. Ufa! É uma história e tanto!

As personagens são incríveis, o texto é bem escrito, a história é ótima e se desenrola de maneira surpreendente! Tudo é bem amarradinho, sem pontas soltas, tudo o que acontece na história tem um motivo, e você vai entender tudo no final. Além disso, dei muitas risadas o tempo todo! Sadie, a fantasma, é simplesmente maluca! Ela tem uma personalidade muito forte: fala sobre uma garota assombrada pelo fantasma de sua tia, que viveu na década de 20sempre quer tudo do jeito dela, nem que tenha que torrar muito a paciência para conseguir. O motivo de estar assombrando sua sobrinha, Lara Lington, é querer de volta um colar que foi dela por 75 anos, mas desapareceu há décadas! Apesar de ter morrido com 105 anos, sua forma fantasma tem vinte e poucos, que é como ela se sentiu a vida toda, como ela era por dentro. Adora dançar Charleston, e acaba obrigando Lara a aprender.

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Perseverança


per.se.ve.ran.ça
sf (lat perseverantia) Qualidade de quem persevera; constância, firmeza, pertinácia. Antôn: inconstância. (www.michaelis.uol.com.br)


Apesar de muitas vezes não parecer, perseverança é uma palavra forte. Para mim, ela soa forte. É uma forma de esperança, mas não a de quem espera de braços cruzados; se possível, sentado. É o equilíbrio perfeito entre fé e ação.

Eu sou uma sonhadora. Não no sentido pejorativo da expressão, eu sou uma pessoa que sonha com um futuro de realizações. Realizações, estas, possíveis de serem alcançadas, mas que exigem certo esforço. É por isso que, quando me perguntam a quantas andam meus projetos, eu logo digo que estou sendo perseverante.

Um desses projetos, quem me conhece já sabe, é terminar de escrever e publicar meu livro de aventura infanto-juvenil. Ao ouvir isso, alguns abrem logo um sorriso e me perguntam quando vou publicá-lo.Perseverança é […] o equilíbrio perfeito entre fé e ação. Outros quebram o contato visual e dizem que escrever um livro é uma tarefa muito difícil, e que dificilmente fica bom.

Aos que acreditam em mim, muito obrigada. Infelizmente, não sei quando nem se ele será publicado. É claro que quem escreve um livro pretende publicá-lo, mas isso é uma questão que não depende só de mim. A boa notícia é que deve ficar pronto por Julho! Quanto aos que duvidam, peço humildemente que reconsiderem. Minha perseverança inclui trabalho duro, ler, perquisar, fazer, refazer e “trefazer”. Por mais que todos concordem que é um feito difícil, quem é sábio o suficiente para me julgar incapaz? Na minha opinião – e dificilmente ela será mudada – todo trabalho feito com o coração é um trabalho bem feito. E, se mesmo assim por algum motivo não dê certo, a experiência não é prêmio de consolação, é um prêmio real. Afinal, a prática sempre leva à perfeição ao aprimoramento.

Eu sou uma sonhadora, mas sou uma sonhadora com o pé no chão: não espero enriquecer vendendo livros. Além disso, sei que raramente o primeiro livro que uma pessoa escreve fica realmente bom, mas, acreditem no que digo, a lógica não permite que se escreva o segundo sem escrever o primeiro, e ela não abre todo trabalho feito com o coração é um trabalho bem feitoexceções. Além disso, mesmo que o resultado do meu trabalho seja um livro ruim, ele será o meu livro, e essa é uma grande realização, por si só.

Não por estes motivos, mas por fatores inerentes meus, além da continuação do primeiro livro, eu já tenho a ideia quase pronta de mais duas histórias diferentes, volumes únicos. Escrever leva tempo, por isso as ideias estão na gaveta, mas não pretendo que fiquem lá por muito tempo. Até o final do ano – depois que eu terminar este primeiro livro e tiver entregado meu artigo para concluir a pós-graduação – espero começar a escrever.

Por hora, continuo o que estou fazendo. Passei dez agradáveis dias na praia, onde pude adiantar um pouco a história atual. Escrevi, inclusive, um capítulo recheado de cenas de ação, que ficou muito melhor do que imaginei que ficaria. Surpreendi a mim mesma! Não existe satisfação melhor – e mais difícil de alcançar – do que essa.

Relatos de Casamento


Texto inicialmente publicado no meu antigo blog, em 13 de julho de 2009


Domingo fui ao casamento do primo do Luís, o Diego. Nunca vi um noivo chorar tanto… mas eu competi com ele pela taça de chorão da festa! Estava muito emotiva…

Quando eu conheci o Diego, se naquele momento alguém me dissesse que três anos depois eu presenciaria seu casamento, eu não acreditaria. Não que ele seja feio ou mulherengo, longe disso! Mas ele sempre pareceu brincalhão demais, exigente demais e impaciente demais com os assuntos femininos…

Pois nos últimos meses ele demonstrou… ser tudo isso que parecia! A grande diferença é que ao lado dele estava a Júlia, que era exatamente igual e ao mesmo tempo completamente diferente. Os dois combinavam certinho! E juntos organizaram uma casa e um casamento.

Foi na entrada da igreja que minha mente viajou para além daquele casamento onde eu estava, englobando todos os demais. Chegou um carro bonito, com vidro fumê e apenas uma fresta da
O noivo sabia que ela estava ali, mas que não poderia vê-la. Tão perto e ao mesmo tempo tão distante.
janela aberta, para ver o motorista. Ali dentro estava a noiva.

O noivo sabia que ela estava ali, mas que não poderia vê-la. Tão perto e ao mesmo tempo tão distante. O nervosismo aumentando a cada minuto. Puxa, é meu casamento… nem acredito! Ao mesmo tempo, a noiva, dentro do carro, vê seu amado ao lado de fora e aguarda ansiosamente pelo momento de ter seu olhar correspondido. O nervosismo aumentando a cada minuto.

Deve ser frustrante, para um casal que passou tanto tempo junto, de repente ser separado! Não há paciência que faça o tempo parecer menor. A espera… a entrada do noivo, dos pais e dos padrinhos… e finalmente da noiva! Um lento caminhar que parece não ter fim. Tem que ir devagar como no ensaio, para os fotógrafos terem tempo de fazer seu trabalho…

Então chega o momento em que os noivos se dão as mãos novamente. Mágico! Daqui pra frente estamos juntos e será mais fácil. Apesar da ansiedade, não há medo. Afinal estamos juntos como sempre estivemos, e como sempre queremos estar! Inabaláveis. É assim que queremos ficar para o resto de nossas vidas e é por isso que estamos aqui.

O resto todo mundo já sabe, é feita a maior declaração que qualquer pessoa é capaz de fazer e todo mundo comemora. Mas eu continuei chorando. Emoção? Stress? Imaginação fértil? TPM? Uma mistura disso tudo? A verdade é que fiquei muito feliz pelos dois! Desejo-lhes uma vida cheia de alegria!!

Estes são os relatos de uma jovem mulher que não tem relatos para contar. Ainda!

Angélica

Angélica

(por Karen Soarele)

Parte 1

Ela passou por mim, e eu quis saber quem era. Quem era a responsável por aquele instante infinito, aquela palpitação inesperada. Era um andar de mulher com a leveza de uma criança. Devia ser esperta, decidida, pequena e leve. Seu ritmo expressava preocupação. Seu movimento gerou uma leve brisa, que trouxe um perfume fresco e energizante.

Passou por mim como um furacão, levando embora tudo o que eu pensava, sentia, sonhava. Ficou apenas a lembrança. Esperança, dúvida, ansiedade, silêncio. E eu apenas queria saber: Quem era?

– A Angélica? Ela não é lá aquelas coisas…

Apesar da resposta rude do meu colega, não desanimei. O que importava para ele certamente não importava para mim. Eu queria saber mais sobre a autora daqueles passos firmes e delicados. Élficos. Enigmáticos.

Angélica…

***

Parte 2

Passei a prestar atenção nela. Eu sempre sabia quando ela ia entrar na sala, muito antes dos demais. Podia ouvir seus passos no corredor. Mesmo que estivessem misturados aos passos de uma multidão, eu os reconhecia. Ela podia estar calma, alegre, nervosa ou apressada, não importava. Nem sua emoção conseguia disfarçar seus passos de mim.

Me aproximei aos poucos. No início tive que encarar o silêncio absoluto de quem se sente incomodado, mas com o tempo conquistei sua confiança.

E esperei o momento certo.

Esperei.

Esperei a hora perfeita.

A hora perfeita para colocá-la contra a parede, e dizer-lhe tudo o que eu queria, do jeito que eu queria e nas condições que eu queria. Não disse tudo o que eu sentia, certamente, pois iria assustá-la, mas disse tudo o que eu queria.

Então senti o ruborizar da pele quente de seu rosto. Apesar de não tocá-lo, eu podia sentir. Seu coração batia acelerado, e eu não precisava vê-la para saber para onde ela olhava. Olhava diretamente nos meus olhos, apesar de estar tímida. A reação que eu pedia.

Era uma mistura de medo, timidez e ansiedade em experimentar algo novo. E eu não hesitei. Fiz o que tinha de fazer. Toquei seus lábios com os meus, pela primeira vez.

***

Parte 3

O tempo passou, e ela permitiu que eu me aproximasse ainda mais. Após um lento início, ela abriu seu coração, e passou a depender de mim, e eu dela.

Ela não sabia, mas eu sabia me virar sozinho. Mas jamais diria isso a ela. Gostava que ela me ajudasse em tudo o que eu fazia. Sempre prestativa e proativa, orgulhava-se disso.

E o tempo passou.

E passou mais um pouco.

Nossas vidas seguiam um rumo único, e éramos felizes. Ela se tornou uma grande mulher, como tinha de ser. Eu fiz o que era possível para acompanhá-la em cada passo, e ela valorizava isso.

Até que cheguei ao ponto mais marcante de minha vida. Aquele que mudaria tudo. Aquele que me fez dividir minha vida em antes e depois. Havia muito tempo que eu não pensava nessa possibilidade, e quando ela bateu à minha porta, me senti ansioso e indefeso.

Mas ela estava lá, minha amada Angélica. Pronta para ser útil, pronta para me ajudar em tudo o que eu precisasse. Mais uma vez senti, com emoção, seus passos ao meu lado. Sempre contraditórios, eles se dividiam em decididos e vacilantes. Mas ela segurava minha mão, como se tentasse me passar toda a coragem de que dispunha, enquanto minha maca era guiada por mãos e passos mecânicos e sem emoção alguma.

Até que uma porta nos separou, e em seguida adormeci.

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Sono sem sonhos. Foi como se eu tivesse apenas mudado o canal da TV. Após um segundo de silêncio, já havia me teleportado para um canal completamente diferente. Estava novamente na cama. Inconscientemente mexi os dedos, e foi suficiente para ouvir ao meu lado um pulo de alegria. Era ela. Eu não sabia há quanto tempo me esperava, mas não ousei perguntar.

Desenrolei a venda. E tive a experiência mais extraordinária de toda minha vida. Olhei em volta, para aquele ambiente claro. Olhei para ela. Angélica. Pessoa maravilhosa, companheira para todos os momentos. Agora eu sabia: Ela era também a mulher mais linda, maravilhosa, perfeita… que eu já tinha visto em toda a minha vida.

E com certeza eu jamais veria cena mais emocionante, mais bonita, do que aquela sua expressão que misturava alegria e preocupação, e seus olhos azuis fixos nos meus.

Nos abraçamos forte, e choramos lágrimas confusas. Lágrimas de alívio, alegria, emoção.

Mas sobretudo, lágrimas de amor.

*

Agora que você terminou de ler, me diga:
O que você entendeu deste meu conto?